Salvador, 19/12/2014


A Maternidade Climério de Oliveira começou a virar realidade em 1879, quando uma reforma do ensino da Medicina, deu início a algumas mudanças na Bahia, como a criação da cadeira de Clínica Obstétrica e Ginecológica.

Em 1885, o professor Climério Cardoso de Oliveira, assumiu a direção da nova clínica, que funcionava na enfermaria Santa Isabel, do velho Hospital São Cristovam, que pertencia à Santa Casa de Misericórdia. Em 1892, a falta de um espaço para a realização de partos e as condições de material e higiene da enfermaria da Santa Casa – local reservado ao atendimento dos pacientes -, fez o médico Climério de Oliveira perceber a necessidade de novas instalações obstétricas na cidade.

Para conquistar avanços na área da obstetrícia, aspiração de boa parte dos médicos de Salvador, a construção de uma maternidade pública, surgiu como a mais nova ambição da classe médica da Bahia. Ela serviria, além de espaço para a realização dos partos da capital baiana, também como um centro de pesquisa. Na verdade, uma maternidade-escola; que ajudaria na formação dos novos médicos da Faculdade de Medicina.

No entanto, na época, foi encontrada uma solução paliativa: a mudança das velhas dependências da Clínica Obstétrica, para uma enfermaria do Hospital Santa Isabel, recém construído no bairro de Nazaré da capital baiana.

Foi então por influência do professor Manoel Vitorino, que era senador federal, que foi incluída na lei de orçamento da União, para 1894, uma verba para a construção da maternidade pública.

Em 1903, o diretor da Faculdade de Medicina da Bahia, o professor Alfredo Brito, através de um contrato aprovado pelo governo da União e selado com a Santa Casa de Misericórdia, estabeleceu a construção dos pavilhões necessários para o funcionamento da maternidade. O terreno escolhido ficava em frente à fachada lateral do Hospital Santa Isabel.

A partir deste contrato iniciou-se a verdadeira luta de Climério de Oliveira para fazer com que as obras de construção da maternidade realmente acontecessem. O repasse do governo federal não era suficiente para o andamento das obras. O professor então, conseguiu estimular e organizar algumas frentes de arrecadação de fundos, como o Comitê de Senhoras da Sociedade Baiana – formado por 18 senhoras. O comitê realizou seis espetáculos no antigo teatro Politeama, apresentando um drama intitulado “A Maternidade”, escrito pelo próprio Climério de Oliveira. Outra forma de arrecadação foi através do bando precatório dos estudantes das escolas superiores do estado, que saiam pelas ruas de Salvador pedindo doações à caridade pública.

Mesmo com a ajuda dada pelos governos estaduais e municipais, as obras da maternidade só ficaram prontas 5 anos depois. Após alguns trabalhos de acabamento e aparelhamento, foi então inaugurada, em 30 de outubro de 1910, a Maternidade Climério de Oliveira.


Logo após a inauguração, a Maternidade, que, segundo o contrato pré-estabelecido, seria parte integrante da Santa Casa, passou a fazer parte da Faculdade de Medicina da Bahia. A mudança foi possível graças a uma alteração feita pelo governo – no artigo do contrato entre a Santa Casa e a faculdade – a pedidos do professor Alfredo Brito.

A Climério de Oliveira tornou-se assim, o primeiro espaço reservado para o atendimento obstétrico-ginecológico no Brasil, que tinha a finalidade específica de Maternidade/Escola. Ali, as mulheres da capital baiana, teriam o amparo que até então o poder público não oferecia. A inclusão da população pobre crescia aliado ao ensino e à pesquisa dos novos doutores da Faculdade de Medicina da Bahia. A cultura soteropolitana se modificava; e a agenda higienista e a civilização da arte de parir dava novos dados estatístico à mortalidade infantil do país.